Super (Autista) Heróis de seus mundos.

 

Eu sonho com um dia em que poderemos crescer em uma sociedade madura, onde ninguém será ‘normal ou anormal’, apenas seres humanos aceitando todos os outros seres humanos — prontos para crescermos juntos.
‘Tito Mukhopadhyay’

Mais uma vez o Projeto Visão Reflexiva me dá imensa oportunidade de entrar em um outro universo. Poder conhecer um pouco sobre o autismo, sobre o amplo espectro autista, conversar com psicoterapeutas, neurocientistas, pedagogos, autistas e familiares de autistas, está me comprovando que todos estamos dentro de um único espectro, o humano. Durante pesquisas me deparei com um brilhante texto cientifico da Dra. Marina Bialer, que mostra a importância da reflexão e do reflexo na terapia (http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php…) e, além disso, um texto que me deixou ainda mais motivado e me apresentou o Tito Mukhopadhyay, um jovem e talentoso escritor indiano autista. Vale pesquisar sobre ele e sua trajetória.
Esse post e esse meu trabalho chamado Eu X EU é uma forma de homenagear a todos esses super-heróis de seus mundos, além de seus pais, cuidadores e todos aqueles que trabalham para deixar o mundo melhor, e também uma forma de lembrar que a inclusão dessa turminha é muito importante, principalmente nas crianças, nas escolas. O trabalho também é dedicado a uma super mãe, a Joanna Navas (vale a pena conhecer o trabalho que ela apresenta com seu filho no face); e um super herói, o David; que seguem juntos pela vida se desenvolvendo mutuamente de uma maneira extremamente feliz e com resultados pra lá de positivos. Tive a oportunidade de conhece-los durante oficina que fiz em Gandia, Espanha, e depois tive a felicidade de receber um carinhoso vídeo com os dois falando sobre a obra que fizemos juntos. Parabéns a todos.

Segue texto do Tito

O AUTISMO É MEU DESTINO
Tito Rajarshi Mukhopadhyay
O autismo é tão natural para mim quanto o “tipicalismo” é para outros. Portanto, não há auto-julgamento quanto a isso ser bom ou ruim, certo ou errado, sofrimento ou êxtase. O trabalho de julgar eu deixo para os especialistas e sigo levando minha vida. Não posso ser o gerente do pensamento alheio para dizer-lhes o que ou como pensar.
O autismo é meu destino. O destino deve ser cumprido — não combatido. Podemos chamar a palavra “destino” de “sorte” ou “fado”. Se o autismo é minha trajetória, deixe-me percorrê-la bem, deixe-me entender a minha vida caminhando o meu caminho.
Há um dito — “o destino conduz o que consente e arrasta o que resiste”.
Eu prefiro ser conduzido do que arrastado. O autismo não é meu inimigo. Eu não tenho certeza se ainda gostaria de percorrer a trajetória do “tipicalismo”.
Quanto a ser chamado de autista ou pessoa com autismo, para mim, não faz diferença. Não muda a forma como vejo ou penso. Qualquer um dos dois é bom. Bom como o leste, bom como o oeste. A Terra aponta para todas as direções.
Eu não sou o porta-voz das pessoas com autismo ou autistas. Eles têm o direito de resistir o que vem de dentro e o que vem de fora, a palavra ou o mundo.
Não importa.
( site https://autismoemtraducao.com/2015/03/13/tito/ mas que pode ser conferido em português neste outro https://the-art-of-autism.com/tag/tito-mukhopadhyay/)

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