“Teoria do Inverso”. Mergulho reflexivo em nossa inevitável culpa.

 

Oferecer múltiplas interpretações, ou, nenhuma delas. Isso é exatamente o que tenta sugerir esta obra, afinal,  possuímos sobre nosso tronco a mais complexa estrutura de multiplicidade de pensamentos do mundo  e, provavelmente, de todo o universo: o cérebro. A obra “Teoria do Inverso”, de Zeppa Tudisco,  faz parte de uma série que tem como protagonistas lúdicos bonequinhos plásticos que, além de representantes  do gênero humano,  emitem  sensações de interiorização, existência e, para muitos, até de uma certa angustia, devido ao questionamentos que provoca. Especificamente nesta obra, o artista busca tocar exatamente neste ponto e questiona se estamos mesmo evoluindo e como estamos evoluindo. Na sua visão , a obra é um mergulho com a profundidade relativa ao tamanho da culpa e carga de preconceito de cada um,  é uma  reflexão  sobre o porquê  da divisão da humanidade em tribos , raças e dogmas, já que no final   somos da mesma espécie e linha evolutiva, somos simplesmente seres humanos.  No artigo “O mea-Culpa pela escravatura”, publicado na Folha de março de 2007, Contardo Galligaris, psicanalista italiano radicado no Brasil, toca nestes pontos que convergem diretamente com a reflexão proposta por esta obra: “No passado e em outras culturas, já foi e ainda é banal considerar que nosso semelhante é só quem dorme na toca da gente”. E ainda,  “A ideia de uma comunidade da espécie humana é uma invenção, se não exclusiva, no mínimo peculiar da cultura ocidental. E, sem essa ideia, vinga a tentação de usar e possuir o outro (diferente e, portanto, subumano) como um objeto”.

A arte é simples. O entendimento é simples. O que é complexo é o mergulho na reflexão e em uma evolução de verdade, na prática.

Será que estamos longe disso?

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